12 De Outubro

Facção Central

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Letra da música

Facção Central - 12 De Outubro

Música enviada por: Letras de Músicas

Cadê o meu presente, o meu abraço?
A bicicleta que eu sonhei não vem com o laço.
Não tem bolo, nem alegria.
É dia das crianças, mas não pra periferia.
Queria fugir daqui, é impossível,
Eu não queria ver lagrimas, é difícil.
Meus exemplos de vitória estão todos na esquina,
De Tempra, de Golf, vendendo cocaína.
Bem melhores que minha mãe no pé da cruz
Pedindo comida, um milagre pra Jesus
Antes dos doze eu vou estar com o oitão,
Matando alguém sem compaixão.
Vou ver o filho, a mulher, chorando no corpo.
Vou dar risada, vou dar mais uns quatro no morto.
Eu vou brincar de assassino descarregando um 38.
Legal a cara explodindo, voando um olho.
Hoje é dia das crianças, e daí?
Quem vê sangue não tem motivo pra sorrir.
Não existe presente na caixa com fita.
Só moleque morrendo na mesa de cirurgia.

(2X) Hoje é dia das crianças, e daí?
Quem vê sangue não tem motivo pra sorrir.
Não existe presente, alegria.
Nem dia das crianças na periferia.

Não dá pra ser criança comendo lixo,
Enrolado num cobertor sujo e fedido.
É ''dá esmola pelo amor de Deus'' um dia.
No outro ''é assalto! Não reage vadia!''
O que eu vou ser quando crescer?
Quer dizer, se eu crescer, se eu não morrer.
Um assaltante de banco, um assassino,
Descarregando minha pt no seu filho.
Eu vou fazer um rolê e buscar meu presente :
Uma vítima, anel de ouro, corrente.
Vou mostrar minha pureza,
Eu vou matar um cuzão por uma carteira.
Feliz dia das crianças, é 12 de outubro.
Põe um brinquedo, em cima do meu túmulo.
Quem brinca com revólver não conhece a alegria.
Não tem dia das crianças na periferia.

(2X)Hoje é dia das crianças, e daí?
Quem vê sangue não tem motivo pra sorrir.
Não existe presente, alegria.
Nem dia das crianças na periferia.

Posto de saúde, Paz, Grajaú.
Feliz 12 de outubro, zona sul.
Desrespeitam um médico ausente.
O filho do nordestino aqui não é gente.
Depois querem formatura e alegria.
Mas que se foda se eu tô com meningite, pneumonia.
O Brasil não me respeita, quer me ver morrer,
Quer um preso a mais.
Por quê que eu fui nascer?
Pra não ter um carrinho, um danone,
Ou trafico uma droga, ou morro de fome.
Se eu não meter uma faca nas suas costas,
A minha chance é 1oo% de acabar nessa bosta.
Pra ter um brinquedo, só com latrocínio.
Se não for jogador de futebol vou ser bandido.
Queria ter um video-game, como eu queria.
Mas não tem dia das crianças na periferia

(4X)Hoje é dia das crianças, e daí?
Quem vê sangue não tem motivo pra sorrir.
Não existe presente, alegria.
Nem dia das crianças na periferia.

''É, num ganhei video-game.
De presente, eu ganhei um cano.
Não tem dia das crianças na periferia.''

letrasdemusicas.com.br Esta letra foi retirada do site www.letrasdemusicas.com.br

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